Você provavelmente já leu, ao pesquisar sobre a indústria dos alimentos, que um grande marco em sua história é o pós-guerra na segunda metade da década de 1940. Isso se deu pela enorme necessidade, haja vista o crescimento econômico e demográfico, adensando cidades e demandando cada vez mais alimentos e praticidade, por conta do trabalho das pessoas.

Criou-se diversas técnicas para melhor conservação do alimento, embalagens que postergasse a vida útil da comida (como a embalagem a vácuo, por exemplo) e, a partir daí, tivemos a invasão dos alimentos instantâneos.

Esta readaptação alimentar modificou todo um sistema, toda uma indústria, induzindo cada vez mais incentivos e investimentos para a indústria química referente ao desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para a produção e o consumo de alimentos. O emprego desses insumos químicos foi vital para acomodar a nova dinâmica de vida nas cidades, estendendo a vida útil dos alimentos através dos conservantes, evitando que estes fossem mais facilmente contaminados e estragassem, além de desenvolver incentivos para seu consumo, como imputando corantes ou aromas.

Além disso, a questão nutricional dos alimentos, que obviamente era uma preocupação para a confecção dos “novos tipos de alimentos” foi contemplada, a partir de biotecnologia e processos químicos que repuseram ou realocaram nutrientes perdidos nos alimentos nestes processos.

Todas essas tecnologias foram respaldadas por áreas da ciência que permitiram esses avanços, descobertas e inovações, fazendo da indústria dos alimentos uma das mais importantes onde se emprega processos químicos.

De forma bem sucinta, a indústria dos alimentos abraça duas grandes áreas, que é a dos alimentos naturais e a dos industrializados.

A primeira diz respeito aos alimentos que pouco ou em nada são alterados por processos outros que não os naturais. São os alimentos desidratados, secos, resfriados e etc. Já os industrializados são os que, ao contrário dos naturais, sofrem grandes influências de processos químicos e industriais, como os alimentos pasteurizados e defumados, por exemplo. Desta forma, possuem diversos componentes diferentes dos alimentos naturais.

O desenvolvimento de pesquisas nas questões alimentares exige conhecimentos específicos e multidisciplinares, que juntos, proporcionam um conhecimento macro e integrador que permite avanços substanciais.


Química de alimentos: os cientistas da comida!

A química dos alimentos é uma área de estudo que contempla as interações dos compostos biológico, físico e químico dos alimentos, auxiliando para o entendimento do processamento destes.

Estrutura-se nos princípios da química orgânica, analítica, bioquímica e físico-química. É vital para se buscar, cada vez mais, melhorias nos processos que produzem ou melhoram os alimentos, estudando os componentes alimentares durante todo seu processamento e armazenamento. Uma série de processos alimentares são empregados para se garantir produtos de qualidade, principalmente no que diz respeito à produção.

 

As principais técnicas de conservação e melhoras no processo produtivo são:

·         Pasteurização

Criada pelo cientista Louis Pasteur em 1864, esta técnica consiste em aquecer o produto em temperaturas inferiores a 100ºC por um período de tempo, eliminando inteiramente ou quase a totalidade dos seres patogênicos. Após esse aquecimento, o alimento é submetido a um rápido resfriamento, impedindo que os possíveis seres sobreviventes se proliferem.No Brasil, é obrigatória para o leite e todos os seus derivados. Com esta técnica, se prolonga a vida útil do alimento e se confere mais qualidade a ele.

·         Defumação

Defumação é a exposição do alimento à fumaça proveniente de, geralmente, lenha, serragem ou até mesmo, plantas. Pode levar temperos no processo e é mais utilizada em carnes bovinas e embutidos. A principal ação da defumação é “desinfetar” o alimento com substâncias que se formam na fumaça, retirar parte de sua água e formar uma espécie de envoltório que impede novas bactérias de adentrarem ao alimento, além, claro, de marcá-lo com um sabor extremamente característico. Carnes defumadas não precisam de preparo adicional, sendo próprias para o consumo, como por exemplo, o salmão defumado.

·         Esterilização

Parecida com a pasteurização, a esterilização se diferencia em dois quesitos: as temperaturas são mais elevadas e o tempo de exposição é menor. O principal foco da esterilização é a bactéria responsável pelo botulismo, que é uma grave infecção alimentar. É bastante utilizada em enlatados, para dar-lhes maior consistência, sabor, cor e aparência. Em contrapartida, por conta das altas temperaturas, têm-se uma perda nutricional do alimento, além de custos mais elevados para sua realização.

·         Desidratação

Esta técnica consiste em remover drasticamente ou totalmente a quantidade de umidade dos alimentos, preservando-o por mais tempo sem degradar. Para isso, geralmente se utiliza vapor superaquecido, podendo chegar quase a 200ºC, secando os alimentos em um ambiente sem oxigênio, evitando a oxidação dos mesmos. A secagem reduz o peso total do alimento (por conta da retirada de água), reduzindo assim seu custo de transporte e armazenamento, além de criar um ambiente bastante impróprio para a proliferação de bactérias. Alguns exemplos de alimentos desidratados são temperos, hortaliças utilizadas em pós solúveis e frutas.

 

Como vimos, são diversas técnicas que podem ser empregadas para o melhor manuseio dos alimentos, tendo muitas outras que podem ser citadas, como a salga e a refrigeração, por exemplo. Para melhor atender a este mercado, há na academia um curso chamado Engenharia de Alimentos, que forma alunos de forma multidisciplinar para trabalharem em todas as etapas da indústria dos alimentos, desde o desenvolvimento do produto até sua comercialização.

Essa profissão é regulamentada no Brasil desde a década de 1970, exercendo diversas e complexas funções neste setor, denotando não só o crescimento da área, mas a importância e relevância que possui o tema.

Assim, podemos ter alguma noção do quanto essa indústria cresceu ao longo dos anos, dando todo o suporte de subsistência necessário que o modelo socioeconômico vigente necessita para se desenvolver.

Isto, claro, possibilitado pelos processos da indústria química que, dentre as suas várias ramificações e especialidades, nos oferta ferramentas para uma segurança alimentar cada vez maior.