A indústria química, por vezes, possui conotação negativa, tendo em vista que o conhecimento popular geralmente a relega como algo antagônico ao que é natural, ou seja, nutritivo, bom e/ou saudável. Com certeza você conhece alguém ou já ouviu falar naquela pessoa que não gosta de tomar remédios com medo das consequências fisiológicas que eles podem acarretar.  É bem verdade que, por se tratar de um processo contínuo de inovação e pesquisa, muitos compostos podem ser, depois de amplamente difundidos e utilizados, retirados do mercado por alguma descoberta negativa, como o caso recente da ranitidina. Entretanto, a fabricação de fármacos e processos químicos é uma parceria que permitiu a melhoria na qualidade de vida de uma população cada vez maior e mais adensada, além de gerar renda, empregos e muito conhecimento.

A produção de uma imensa variedade de medicamentos e cosméticos evidencia a intensa busca rotineira da indústria química em inovar, sempre buscando melhorar a saúde populacional e assegurar as margens de lucro e a competitividade das empresas do ramo. O processo de pesquisa, desenvolvimento, comercialização e distribuição dos fármacos é longo, caro e burocrático, podendo levar até décadas para ser efetivado, demandando um altíssimo investimento intelectual e financeiro.  A indústria química tem papel fundamental na produção da indústria farmacêutica, pois é por intermédio dela que são realizados os processos e reações químicas que garantem a descoberta e o produto.

Matéria-prima da indústria farmacêutica: os farmacoquímicos

Os farmacoquímicos podem ser definidos como a substância que, ao interagir com o organismo, desencadeará uma reação que produzirá uma dada atividade farmacológica. Em outras palavras, estamos tratando do princípio ativo.

Podendo ser de origem vegetal ou animal, o princípio ativo é extraído dos seres vivos de diversas formas. Há ainda os processos laboratoriais, utilizando biotecnologia, por exemplo. Florestas abundantes e complexas, além de outros diversos biomas com altíssima diversidade de espécies, aliados aos grandes depósitos de minerais importantes para a indústria fazem com que o Brasil assuma protagonismo, enquanto território, deste campo industrial. Todo o conhecimento tradicional sobre o manejo das ervas e o que vem sendo desenvolvido em laboratório configuram-se uma rede ampla de pesquisa e aplicação desta biodiversidade em prol da vida, sendo o Brasil um verdadeiro paraíso para a pesquisa e desenvolvimento de novos cosméticos e medicamentos.

O faturamento da indústria é bilionário.

A maior parte das empresas que compõem a indústria química brasileira voltada para produção e comercialização de fármacos é estrangeira, ainda que se observe uma maior presença de indústrias brasileiras no setor.

Segundo especialistas, a alta carga tributária e a baixa competitividade vem levando ao fechamento de algumas fábricas, como por exemplo, a da Roche no Rio de Janeiro e a americana Eli Lilly, em São Paulo. Em detrimento a oferta natural de matéria-prima, o investimento no setor ainda está aquém de seu potencial, apesar de ter crescido nos últimos anos, justamente para tentar repor a fuga de investimentos do capital estrangeiro no setor. Concluindo, o Brasil tem uma das 10 maiores indústrias farmacêuticas do mundo, com um mercado ainda muito promissor, auferindo faturamentos bilionários para o PIB industrial brasileiro.

E como se produz um remédio?

Como já foi dito, trata-se de um processo extremamente demorado e que demanda altos investimentos. Pulando a parte de Pesquisa e Desenvolvimento, a que mais é onerosa para as empresas, podemos enumerar algumas fases que, via de regra, estão presentes na fabricação de fármacos, que são:

  • Certificação de fornecedores;
  • Recebimento da Matéria-prima;
  • Pesagem da Matéria-prima;
  • Granulação;
  • Prensa dos grânulos na dosagem recomendada;
  • Identificação dos comprimidos;
  • Acondicionamento em embalagens;
  • Inserção da Bula e do Blister no Cartucho;
  • Pesagem do cartucho;
  • Finalização do lote.

 

Todos os mecanismos e processos que dão vida a um remédio são extremamente precisos, controlados e mecanizados, buscando evitar todo e qualquer tipo de contaminação, dosagem errada ou falha no kit (bula, blister e cartucho). Até mesmo um simples erro de informação na bula ou no cartucho é motivo para total descarte do lote, tendo em vista que se está lidando com vidas, e estas devem estar sempre em primeiro lugar.

Concluindo, o setor químico brasileiro é um mercado em franca expansão, exigindo cada vez mais recursos para seu pleno desenvolvimento. A indústria farmacêutica é um braço importante deste setor, sendo uma área altamente rentável e que se destaca no emprego da indústria química sem sua composição.